domingo, 19 de agosto de 2012

Primeiro dia da viagem


 Arrumo tudo, me esvazio de todos os objetos de desejos, de todos os pensamentos, todos os personagens. Estou centrado, internamente desejoso, feliz. Abro a porta de casa, desço. Surpresa:
A bicicleta foi providencialmente roubada. Não acredito que alguém, um amigo, ou o destino, deliberadamente, tentou me impedir dessa forma de viajar. Por um segundo todo o ódio do destino me atinge, mas é só um segundo. Eu penso em fazer um boletim de ocorrência, mas na casa tem outra bicicleta, não é minha. Mas, eu deixo todo o meu equipamento profissional de fotografia como garantia, com um recado, e mais 100 reais, metade do que tinha separado para viagem.

Nada, naquele minuto, era mais importante para mim, do que ter uma bicicleta. Eu não ia desistir antes de começar, nem começar na delegacia.

Começo - Botafogo, Aterro do Flamengo, praça XV, barcas...

Em frente ao MAC, em Niterói, paro para tomar uma água de coco. O vendedor comenta da pressa despropositada das pessoas que estão passeando em pleno Domingo.  Eu concordo, conto a minha história: a desilusão, a despedida, o desafio. Ele devolve o meu dinheiro. Ronaldo, o vendedor de coco de Niterói, foi a primeira pessoa boa comigo nessa viagem.

Continuo- Icaraí, Dr. Mario Viana, Estrada Caetano Monteiro (e dá-lhe subida), Estrada Velha de Maricá, Amaral Peixoto e é noite.


Chego em Maricá! Achando a bicicleta muito leve, estável, muito muito boa.O Flamengo vence o Vasco, eu converso com as pessoas, consigo guardar as minhas coisas em uma pousada. Na pousada me dão água e frutas. Passeio, entro em uma parque de diversão, vejo a roda gigante e sinto um amor imenso pelo mundo e uma gratidão com a vida. Eu não quero nada e me sinto livre. Me preparo para dormir na sala de espera do hospital público, que por algum motivo misterioso e divino, tem banda larga liberada.
Gastei 4,50 da barca.

Estou feliz.
Vou dormir com outro irmão sem melhor abrigo.

Djalma, meu irmãozinho, quantas pessoas pedalaram 3 mil kilometros para te dar um abraço?
Até breve, São Luis.

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